A Região Metropolitana de Campinas (RMC) registrou, em média, uma morte por dia no trânsito no ano passado, segundo revelou balanço do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, programa do governo de São Paulo. Dados do Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado (Infosiga-SP) apontam que os 20 municípios que integram a região contabilizaram 397 óbitos. Campinas, com 155 vítimas fatais, responde por 39% dos casos. Em 2016, o trânsito na cidade registrou 170 mortes, segundo o levantamento.
 
Assim como em 2016, as principais vítimas do trânsito na RMC são os motociclistas e pedestres. Os números reduziram de 159 para 152 mortos no primeiro caso, e de 116 para 113, no segundo. Casos envolvendo ciclistas, no entanto, tiveram um aumento de 76,9%. Foram 13 mortes em 2016, e 23 no ano passado. Já o número de motoristas e passageiros de automóveis mortos em 2017 chegou a 86.
 
Para o especialista em trânsito Carlos Alberto Bandeira Guimarães, a única solução para diminuir as mortes por motocicletas é aumentar a rigidez no processo de habilitação. “As motos se tornaram meios populares de transporte, já que aparentam ser menos complexas que os veículos, mas por outro lado, são muito mais inseguras. Seria necessário uma maior seleção de motoristas e mais fiscalização do excesso de velocidade, uma vez que quanto mais rápido é o veículo ou moto, mais grave o acidente e mais chances de ele se tornar fatal. Ainda existem muitos motoristas imprudentes. Sabemos que muitas vezes, os motociclistas que passeiam aos finais de semana respeitam sim as leis de trânsito, mas os famosos motoboys ainda não”, disse.
 
Para o professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é preciso ainda aumentar as ações de conscientização dos pedestres. “Ainda existem muitas pessoas que atravessam fora da faixa, uma das maiores causas de atropelamento. Outro problema é o uso do celular. É preciso ter atenção e bom senso”, explicou.
 
Região
 
As 20 cidades que formam a RMC registraram mortes no trânsito em 2017. Holambra, de 14 mil habitantes, teve um caso fatal. Depois de Campinas, Indaiatuba foi o município com mais óbitos na região, segundo o Infosiga, com 36. Sumaré teve 32 casos, Americana registrou 28 e Hortolândia totalizou 26 mortes.
 
O relatório aponta ainda o mês de julho como o mais violento no trânsito da RMC em 2017, com registros de 44 óbitos. “No período de férias, o tráfego costuma ter uma redução de 20%, o que permite que os motoristas abusem da velocidade causando mais acidentes fatais”, disse o professor.
 
Idade
 
Os jovens entre 18 e 24 anos ainda lideram o ranking das maiores vítimas do trânsito na região. Em 2017, foram 77 mortes nessa faixa etária. Na sequência, com 34 casos, estão pessoas entre 30 e 34 anos. Para o especialista, as fiscalizações sazonais e a punição não são severas. “O álcool é o maior vilão do trânsito, seguido do cansaço. É preciso na minha opinião uma mudança na legislação, pela qual os casos de óbito se tornem dolosos (quando uma pessoa mata outra intencionalmente). Uma pessoa quando ingere bebida alcoólica, sabe das consequências e precisa lidar com elas. A maioria das mortes que envolvem álcool acabam se tornando homicídios culposos (sem intenção de matar)”, falou.
 
A incidência de acidentes fatais, segundo o relatório, está concentrada nos períodos da noite e nos fins de semana. Mais da metade das fatalidades, 54,3%, ocorrem entre 18h e seis da manhã e 48% após as 18h de sexta-feira e até as seis da manhã de segunda-feira. Jovens representam 1 em cada 4 vítimas e 81,5% são do sexo masculino. “Precisamos de ações mais concentradas de blitz com bafômetros. Infelizmente o brasileiro só aprende quando punido, assim como foi com o cinto de segurança”, concluiu o especialista.
 
Redução
 
Segundo nota oficial da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), os dados divulgados que indicam uma morte por dia no trânsito levam em conta as informações de todas as cidades que compõem a Região Metropolitana, considerando ainda os casos ocorridos nas rodovias e estradas que cortam a região. A autarquia afirmou que os dados de acidentalidade de 2017 estão em fase de consolidação final, com uma metodologia específica de acompanhamento das ocorrências, entre elas, se o acidente aconteceu em vias urbanas do município, se os dados do local e dos veículos envolvidos estão corretos, as características do trecho do acidente, além de quantos boletins de ocorrência existem do mesmo caso.
 
Ainda segundo a Emdec, Campinas vem reduzindo as mortes no trânsito urbano. Em 2013 foram registradas 101 mortes em acidentes de trânsito. Em 2014 foram 96 óbitos, representando queda de 4,95%. Em 2015 foram 88 mortes e em 2016 ocorreram 74 óbitos por acidente de trânsito no município, em vias urbanas, sendo que no ano passado a via com mais óbitos continuava sendo a John Boyd Dunlop, que em 2015 também liderou o ranking. Seis pessoas morreram nesta avenida, em 2016. Ela também é que teve mais multas, principalmente por excesso de velocidade. As avenidas Ruy Rodriguez e a Anchieta foram as que tiveram mais mortes no mesmo ano com cinco e três, respectivamente.
 
* Via Correio

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