O CICERONE sempre tenta mostrar o que há de bom na nossa cidade, principalmente o que ninguém nunca ouviu falar ou que pouca gente já viu. Na tentativa de fazer um jornalismo diferente iniciamos agora um Editorial, a princípio semanal, que vai comentar de forma opinativa as principais notícias da cidade.

Depois de um hiato em 2017, a Festa da Uva voltou com tudo em 2018. A abertura foi marcada por uma boa movimentação política. Primeiramente contou com a presença de diversas autoridades da cidade e da região, a administração do Prefeito Jayme Cruz quis de toda forma mostrar a força da união com as cidades vizinhas e aproveitar para dar espaços para lideranças políticas da base aliada. Nil Ramos e Claudinéia Serafim, presidente da câmara e vice prefeita, respectivamente, tiveram espaço para falar à vontade. A Vice Prefeita que também é Presidente da organização da Festa da Uva aproveitou bem o espaço para ressaltar seu trabalho. A Deputada Estadual Célia Leão pelo PSDB também se pronunciou, e aproveitou para além de elogiar diversos políticos presentes entregar em mãos uma cópia dos Projetos de Lei que protocolou dias antes na Alesp – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo que determinam a inclusão das cidades de Valinhos e Vinhedo como Municípios de Interesse Turístico. A classificação dá aos municípios vantagens para conseguir recursos e trabalhar políticas públicas voltadas para o turismo. Então, respondendo à pergunta do título, a Festa da Uva é um evento político sim.  E não seria diferente, qualquer que fosse o Prefeito em exercício usaria da mesma forma. O Prefeito Jaime Cruz, usou sua fala inclusive para criticar os vereadores de oposição na Câmara que tem sido bastante criticos e combativos com os deslizes da administração. É preciso lembrar que não votaremos apenas em candidatos à presidência esse ano, mas também para senadores, governadores, deputados federais e estaduais, então qualquer coreto vira palanque político.

A discussão mais importante vem dos feedbacks da população em relação à festa. Não há dúvidas de que a partir dos problemas das festas anteriores terceirizar a gestão da 56ª Festa da Uva e 8ª Festa do Vinho foi brilhante para os cofres públicos. Além de eliminar os déficits recorrentes com a festa, a empresa que organiza esse ano deverá repassar aos cofres públicos 50 mil reais. E já é possível ver algumas melhoras, com uma gestão mais profissional do estacionamento, barracas na festa então melhores distribuídas e há seguranças particulares por todo o parque. Por outro lado, os Shows não são mais de graça e as barraquinhas estão praticando preços maiores do que nos anos anteriores. Uma das principais reclamações é o impacto dos shows na vizinhança do parque. Há relatos de moradores do Bairro Aquários e Condomínio Vista Alegre que puderam escutar o som dos shows, que quase sempre começam depois da meia noite[1]. Sob uma outra perspectiva é preciso lembrar que muitas famílias ainda acreditam na Festa da Uva como uma forma de passeio, principalmente famílias de outras cidades.

Aproveitando então essa nova forma de organizar a Festa da Uva de Vinhedo e esse Projeto de Lei que transforma a cidade em Município de Interesse Turístico é preciso discutir que tipo de turismo queremos oferecer e quem ele deve beneficiar. Se ainda optarmos por uma Festa nos moldes atuais temos que melhorar o impacto na vizinhança da Festa, e na cidade como um todo. Além de privilegiar o comércio vinhedense.

Um bom estudo de caso é o Caldas Country que acontece todo ano em Caldas Novas desde 2006, e que tomou grandes proporções, e por isso teve que fazer um Estudo de Impacto de Vizinhança. A organização do evento conseguiu mitigar a maioria dos problemas com ações simples, como a utilização de uma aparelhagem de som diferente que restringe a emissão de som apenas ao local delimitado.[2]

Se mesmo assim esse modelo não for interessante, precisamos repensar a necessidade de uma Festa da Uva tão grande. Talvez um modelo menor, que privilegie a participação de artistas, comerciantes e pessoas locais, mas que não atraia públicos de outras cidades e tenha tanto custos quanto ganhos monetários menores. É o caso da Festa da Uva de Jundiaí, que privilegia a cultura Rural e Agronômica da cidade. É importante compreender que de um modo ou de outro a Festa é realizada em nossa cidade e opinar apenas nas redes sociais não vai resolver o problema. Por isso, ao abrir esse novo espaço editorial também gostaríamos de publicar opiniões dos leitores, para abrir o debate e as possíveis soluções. Para dar sua opinião basta escrever para o e-mail contato@ciceronevinhedo.com.br, que publicaremos na próxima semana. Lembre-se de colocar nome, idade e cidade em que reside.

 

 

[1] Em nota a Prefeitura comunicou que já alertou a empresa organizadora do descumprimento das normas para shows.

[2] http://www.scielo.br/pdf/urbe/2016nahead/2175-3369-urbe-2175-3369008002AO04.pdf

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