Existe relação entre mobilidade urbana e vendas?

Recentemente a Prefeitura de Vinhedo anunciou junto aos comerciantes da região central da cidade uma nova mudança nos sentidos das ruas do centro de Vinhedo. 

Segundo o poder público as mudanças vão ocorrer à partir do dia 9 de Dezembro, para aproveitar as vendas de Natal. Mas nós do CICERONE ficamos nos perguntando quanto isso vai realmente facilitar a vida do consumidor Vinhedense. 

Rua 9 de Julho

Os Comerciantes em seu manifesto, amplamente divulgado, resumiram suas reivindicações nos seguintes pontos:

  1. Problema de circulação, identificado pela necessidade de o condutor não conseguir dar volta nas quadras, tendo que contornar até 8 quarteirões para chegar ao mesmo lugar;
  2. Contradiz caminhos históricos realizados pela população;
  3. Não dá vazão para que as pessoas cheguem em locais turísticos como o próprio centro, o Cristo, Represas e o Portal.

As dores dos comerciantes são genuínas e deveriam ter sido ouvidas à muito tempo. As cidades cresceram na história da humanidade, de modo geral, por conta do comércio. Essa é a atividade mais básica de um aglomerado urbano. Então, de fato existe uma relação forte entre mobilidade urbana e vendas, pois quanto mais fácil o consumidor chegar onde se consome mais consumidores atraímos e mais vendemos.

No entanto, é preciso lembrar que de 2015 para cá nosso país passou por uma crise econômica e em 2016 o varejo teve uma queda de 6,2%, a maior desde 2001, até os supermercados nesse ano tiveram o pior resultado desde 2003. Desde lá viemos sofrendo com inflação, queda do PIB e aumento do desemprego. Então, não é possível isolar apenas o efeito do trânsito nas vendas dos últimos anos. Outra coisa que não foi possível encontrar foi um estudo tanto da parte dos Comerciantes quanto da parte do poder público que justificasse as mudanças. No Facebook os comerciantes colocaram alguns pontos em forma de vídeo, porém nada estruturado. 

No sentido de aumentar vendas na região central, apenas favorecer o fluxo de carros não é o suficiente. Nessa nova estrutura de fluxo, segundo a prefeitura, vão se perder até 12 vagas de estacionamento. O que implica carros rodando por mais tempo procurando vaga. Consequentemente mais poluição, mais calor na região central e menor velocidade média dos carros. O que pode diminuir a atratividade do centro ao invés do contrario almejado pelos comerciantes. Desse modo, resolve-se um problema para o Natal, mas ganhamos um problema para o futuro.

Segundo estudos, os principais problemas que tornam uma área urbana não atrativa para cidadãos são: buracos, calçadas estreitas, embates entre pedestres e veículos, falta de vagas para estacionar e  acesso à transporte público lotado.

Em 2014 Vinhedo tinha aproximadamente 64 mil habitantes e reunia uma frota de 40 mil veículos. Ocupava nesse ano a 5ª colocação no Ranking Nacional de Cidades com mais carros a cada mil habitantes. Apesar dessa característica, não podemos estruturar o crescimento urbano da cidade apenas para os carros, as cidades devem ser construídas para as pessoas.

É ainda importante lembrar que no Plano de Mobilidade de 2018 existe uma ação de “Criação de comissão representada por corpo técnico municipal, Associação Comercial e Industrial de Vinhedo (ACIVI) e lojistas interessados”, justamente para discutir essas ações de mobilidade. Ainda estamos esperando parecer técnico, estatísticas e indicadores que balizem essas decisões de mudança no centro, tanto as antigas como as recentes. 

Se você tem opiniões sobre como deveremos proceder em novas mudanças ou mesmo quer dar sua opinião sobre a mudança à partir de 9 de Dezembro escreva para nós!

1 comentário em “Existe relação entre mobilidade urbana e vendas?

  1. Na minha modesta opinião, para que se possa trazer mais clientes para um comércio além de vagas para estaciinamento é necessário se pensar também se os precos praticados pelo mesmo é atrativo o suficiente para atrair o cliente.

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