A cerveja é uma paixão nacional. Uma paixão nacional alemã; irlandesa; uma paixão nacional brasileira. O Brasil é campeão em importar hábitos e costumes do exterior – alguns não casam tão bem com a pátria amada, é verdade; mas, no caso da cerveja, o tiro foi certeiro e proveitoso. Fizemos muito nossa essa bebida de tradições seculares. Prova disso é a cerveja brasileira possuir características que a diferem muito da fabricada no restante da América do Sul ou na Europa.

O hábito de degustá-la estupidamente gelada, por exemplo. Aqui é basicamente necessário, pois, conforme começa a esquentar, nossa cerveja se torna desagradável ao paladar em escala exponencial. Repuxa na boca. Não dá. É coisa de receita tupiniquim.

O mesmo não ocorre em todos os países. Na Alemanha, que já é um país frio, as louras são deixadas, muitas vezes, à temperatura ambiente, ou esfriando na janela, na sacada do prédio ou do lado de fora da casa. Esqueça o refrigerador mirando o sub 0.

E sobre os ingredientes em si, nos perguntamos, e as possibilidades de manufatura? Desde as formas primitivas de fermentação da cevada, foram criados processos de feitio que podem incluir outros cereais e diferentes teores alcoólicos. Pelo nível de fermentação, as cervejas são divididas em três grupos: Ale (de alta fermentação), Lager (de baixa fermentação) e Geuze ou Lambic (fermentação espontânea), rara entre nós. No estilo das Lager, encontramos a Pilsner (conhecida como Pilsen devido à cidade em que foi criada), a cerveja mais consumida no Brasil e no mundo, caracterizada pela tonalizada dourada, sabor delicado e teor alcoólico médio.

As cervejas também podem ser classificadas de acordo com o malte utilizado, o que resulta em suas variações de cor. O malte pode ser torrado até atingir as mais diversas colorações – o famoso processo de torrefação –, e a escolha dependerá do estilo e do sabor que se quer dar à cerveja. Entre as classes clara e escura, encontram-se as mais diversas gradações da bebida: a Stout, que é escura e opaca, a Irish Red Ale, avermelhada, e a India Pale Ale, que vai do amarelo dourado ao acobreado.

Um dos elementos que fica para o final, mas interfere na experiência dos grandes apreciadores de cerveja, é o copo em que a bebida é servida. Temos, entre muitos outros, o Lager, conhecido como copo de chope, o Weizen, ideal para as cervejas do tipo Weiss (de trigo), o Pint, encontrado nos pubs ingleses e irlandeses, o Pilsner, para a cerveja homônima de preferência nacional, e o Caneco ou Stein, copo robusto, grande e com alça, o melhor para se brindar seguramente.

Ufa! Depois de tanto escolher, melhor é descansar com uma boa cervejinha. Aproveite o Saint Patrick’s Day, comemorado no 17 de Março, para se jogar em todos os tipos que você ainda não conhece.

 

 

Nina Carvalho

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