A Páscoa é uma festividade religiosa cristã ou judaica que absorveu também certos costumes de povos europeus antigos. Para os cristãos, a data é conhecida como Domingo da Ressurreição, pois comemora justamente a ressurreição de Jesus três dias após sua crucificação no Calvário. Para os judeus, o evento é a Páscoa Judaica, a Festa da Libertação, celebrando o término da escravidão dos hebreus no Egito. Para os clãs europeus, a época em que hoje ocorre a festa, entre os meses de Março e Abril, coincidia com o fim da austeridade do inverno e início da fertilidade da primavera, uma ocasião extremamente auspiciosa para quem vivia da agricultura e criação de animais. Era, portanto, uma oportunidade a se festejar.

     Vamos conhecer mais a fundo a história de cada uma dessas vertentes pascais? Comecemos pelos cristãos, grupo majoritário no Brasil. É importante frisar que a Páscoa é a mais antiga e importante festa cristã, sendo responsável por determinar a data de todas as outras festas móveis do calendário litúrgico – exceto as relacionadas ao Advento. O Domingo da Ressurreição marca o ápice da paixão de Cristo, relembrada ao longo da Semana Santa, e é precedido pela Quaresma, um período de quarenta dias em que o fiel se dedicará a jejuns, orações e penitências.

     Os três dias que antecedem a alegria do domingo são a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira santa e o Sábado de Aleluia, formando o Tríduo Pascal. Na quinta, é recordada a Última Ceia de Jesus com seus apóstolos. Na sexta, sua crucificação – portanto, recomenda-se o jejum ou abstenção de carne. O sábado faz referência ao dia em que Jesus Cristo permaneceu sepultado no túmulo, um momento de introspecção que antecede a Vigília Pascal – realizada nas horas de escuridão entre o pôr do sol do sábado santo e o amanhecer da Páscoa.

     Diferentemente da observância cristã, que segue o Novo Testamento, a Festa da Libertação dos judeus se orienta pelos relatos do Êxodo, parte do Antigo Testamento e da Torá. Segundo a tradição, a primeira Pessach (ou Páscoa Judaica) teria ocorrido quando, após as Dez Pragas do Egito terem recaído sobre o povo do faraó, os hebreus viram chegar o fim de sua escravidão. Além disso, a Pessach caracteriza-se por ser uma das três festas de peregrinação ao Templo de Jerusalém. O festival também tem suas peculiaridades culinárias, e o indicado é se alimentar de pão ázimo e ervas amargas.

     O Coelho da Páscoa, tão difundido entre religiosos e ateus, tem suas origens nas crenças dos europeus pré-cristãos. Tido como símbolo máximo de fertilidade pela abundância com que procria, o coelho foi adotado como símbolo para a comemoração do Equinócio da Primavera – por volta de 21 de Março em nosso calendário – e o consequente início da fertilidade do solo. Ostara ou Eostre (deusa anglo-saxã da aurora e do renascimento) é uma das divindades reverenciadas no período, e seu nome ressoa até mesmo na palavra Easter, tradução de Páscoa para a língua inglesa. Ovos de aves eram pintados e trocados como representantes de sorte e prosperidade, hábito que sobreviveu na forma dos ovos de chocolate com que presenteamos nossos próximos.

 

Nina Carvalho

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