A cerimônia de abertura dos Jogos Olimpicos 2016 parece ter sido um sucesso, com grande repercussão e feedback positivo nacionalmente e internacionalmente. Mas um fato que chamou a atenção de todos foi além da entrada entrada do já conhecido grupo de atletas sob a bandeira branca com os arcos olimpicos, ou seja, os Atletas Independentes com 9 atletas do Kuwait (país suspenso pelo Comitê Olímpico Internacional – COI por conta da intervenção govenamental no páis). Essa opção foi usada pela primeira vez em Barcelona-92, para garantir que atletas com nível olímpico que se enxergam sem um país possam estar nos jogos, são os chamados atletas ou participantes olímpicos independentes – na sigla em inglês, IOA ou IOP. Esta autorização especial foi concedida quatro vezes até hoje: Barcelona 1992, Sydney 2000, Londres 2012 e nos Jogos de Inverno de Sochi, no ano passado.

Já este ano, tivemos também uma novidade, o primeiro Time Olímpico de Refugiados. O COI recebeu a partir de março desse ano 43 pedidos de incrições de atletas, porém apenas dez nomes foram aceitos.. A escolha se deu pela análise individual do potencial competitivo e da situação dos refugiados. A lista final tem cinco corredores do Sudão do Sul, dois nadadores da Síria, um maratonista da Etiópia e dois judocas da República Democrática do Congo. Esses dois últimos, inclusive, escolheram o Brasil como o país de refúgio: Yolande Mabika e Popole Misenga. Esse tipo de requisição acaba sendo um indicador de quão caótico a geopolitica mundial está no período entre os jogos. O maior número registrado de atletas independentes foi em 1992, nos Jogos de Barcelona. Foram 52 atletas da Iugoslávia que conseguiram a autorização especial, mesmo diante das sanções impostas à antiga república da Iguslávia pelas Nações Unidas por conta das seguidas agressões militares contra a Cróacia e Bósnia-Herzegovina. Apenas esportes individuais são permitidos, esportes coletivos são mais complicados de serem avaliados. Na história das Olimpiadas o tiro esportivo é o esporte que conta com três medalhas conquistadas por atletas independentes. O melhor resultado é a prata de Jasna Sekaric na pistola de ar 10m feminino, conquistada nos Jogos de 1992. Na mesma edição, a atiradora Aranka Binder ficou com o bronze na carabina de ar 10m e Stevan Pletikosic foi o terceiro colocado na carabina deitado 50m. 

O tema é importantíssimo para o momento que vivemos, segundo a Agência para Refugiados da ONU em 2015 haviam 65,3 milhões de refugiados no mundo, apenas em termos de comparação, 60 milhões de habitantes é a população do Reino Unido para o mesmo ano. Hoje existem várias áreas de conflito no globo, o conflito na síria com certeza é o que vem atraindo mais atenções. Segundo a Agencia para Refugiados da ONU, desde 2011 até o dia 3 de março deste ano, 4.815.868 sírios deixaram o país para pedir refúgio em países como Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia. Além disso, entre abril de 2011 e dezembro de 2015, quase 900 mil sírios, mais precisamente 897.645, pediram asilo em 37 países da Europa, números expressivos. Sendo assim, nada mais justo que os Jogos do Rio 2016 chame a atenção do mundo esportivo para o problema dos refugiados, questão que inclui todos aqueles que por algum motivo já transbordaram fronteiras ou imigraram algum dia, sejam nós mesmos ou familiares.

Quem são os atletas olimpicos refugiados:

  • Ramis Anis, da Síria (Natação, 100 metros borboleta – masculino); vive na Bélgica;
  • Yiech Pur Biel, do Sudão do Sul (Atletismo, 800 metros – masculino); vive no Quênia;
  • James Nyang Chiengjiek, do Sudão do Sul (Atletismo, 400 metros – masculino); vive no Quênia;
  • Yonas Kinde, da Etiópica (Atletismo, maratona – masculino); vive em Luxemburgo;
  • Anjelina Nada Lohalith, do Sudão do Sul (Atletismo, 1.500 metros – feminino); vive no Quênia;
  • Rose Nathike Lokonyen, do Sudão do Sul (Atletismo, 800 metros – feminino); vive no Quênia;
  • Paulo Amotun Lokoro, do Sudão do Sul (Atletismo, 1.500 metros – masculino); vive no Quênia;
  • Yolande Mabika, da República Democrática do Congo (Judô, peso médio – feminino); vive no Brasil;
  • Yusra Mardini, da Síria (Natação, 200 metros livres e borboleta – feminino); vive na Alemanha;
  • Popole Misenga, da República Democrática do Congo (Judô, peso médio – masculino); vive no Brasil.

Esta olímpiadas será lembrada talvez mais pela sua bondade e integração. “Foi difícil deixar nossos países. E não escolhemos o nome de refugiados. Estou contente por ser parte deste time e por representar mais de 60 milhões de pessoas, que foram forçadas a se deslocar de suas regiões de origem por causa de guerras, conflitos e perseguições. Esperamos inspirar novos atletas em todo o mundo, não apenas refugiados”, disse a nadadora Yusra Mardini.

 

Foto: ACNUR/Benjamin Loyseau
Foto: Arquivo Olímpico

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