A Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas talvez não tenha atingido um de seus mais desafiadores objetivos para a Paralimpíada Rio 2016 – a conquista de uma melhor posição no ranking mundial caso vencesse uma das partidas que disputou no campeonato, no entanto, nossa Seleção trouxe as duas mais importantes conquistas: apresentou em larga escala essa apaixonante modalidade ao Brasil e mostrou ao mundo que hoje o nosso país sabe jogar Rugby em Cadeira de Rodas em nível competitivo com qualquer potência mundial!

Vale o destaque para a presença maciça de público em todos os jogos! Eu mesmo tive a oportunidade de ver pessoas que nunca haviam sequer ouvido falar do esporte vibrando com as jogadas, batidas e quedas tão típicas da modalidade. Isso sem falar no fato de muitos dos presentes passarem a expressar visível interesse pelo Rugby em Cadeira de Rodas, pesquisando e perguntando sobre regras, classificação funcional e táticas de jogo. Parabéns à torcida brasileira!! E parabéns também à Seleção! Isso também é reflexo do bom desempenho mostrado por nossos atletas e comissão técnica!

Apesar dos erros cometidos em maior número do que o das grandes equipes contra as quais jogou, o Brasil teve excelentes momentos e conseguiu manter-se no jogo de maneira bastante consistente durante quase todo o tempo das partidas.

Isso pode soar estranho a quem não vem acompanhando a evolução da modalidade, já que os placares acusaram a derrota do Brasil nos quatro jogos que participou e por termos terminado os jogos na última posição (8º lugar), mas há que se considerar que essa foi a primeira participação da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas em uma Paralimpíada e que jogamos contra as principais seleções da modalidade do planeta (mais precisamente, as Top 7 do ranking mundial!), seleções que tem tradição na modalidade e que possuem muito mais anos de estrada do que o Brasil (que atualmente ocupa a 19ª posição no ranking mundial).

No primeiro jogo contra o poderoso Canadá, paísque criou a modalidade na década de 70, o Brasil fez uma excelente estreia nos jogos, embora não conseguindo manter a mesma regularidade de gols que a experiente seleção campeãparapan-americana e dona de duas pratas e um bronze paralímpicos, nem tampouco conseguindo segurar os ataques rápidos da equipe do velozZakMadell. Ainda assim, finalizou a partida com um placar cuja não tão grande diferença representa uma grande evolução de nossa Seleção(CAN 62 x 48 BRA).

Já contra a Austrália, equipe bi-campeã paralímpica (ouro em Pequim 2012 e agora no Rio 2016), o Brasil teve um histórico início de partida, mantendo equilíbrio durante todo o primeiro quarto. No decorrer da partida, a dupla RyleyBatt e Chris Bond, usando de sua agilidade e experiência forçaram alguns erros brasileiros e conquistaram muitos turnovers (recuperação da posse de bola), abrindo um placar que garantiu a vitória australiana (AUS 72 x 45 BRA).

No terceiro jogo, contra a seleção da Grã-Bretanha, que lidera o ranking europeu, o Brasil teve alguns momentos de consistência tática, mas não conseguiu encaixar seu jogo, perdendo alguns ataques e tendo dificuldade em defender o bem organizado sistema britânico, resultando na partida com menor quantidade de gols marcados por nossa seleção (BRA 32 x 52 GBR).

Certamente o jogo mais equilibrado que tivemos foi o da disputadíssima partida pela 7ª posição paralímpica. Jogando contra o sétimo colocado do ranking mundial – a França, o Brasil demonstrou o seu principal valor: o coletivo.

É certo que possuímos grandes valores individuais em nossa seleção; sei também que aos olhos do público há preferências por alguns atletas, o que é ótimo! Mas certamente o grande valor da seleção brasileira está no conjunto e na capacidade de criar sólidasopções de ataque com quaisquer formações, mesmo quando privado de algumas peças, o que pudemos observar nos dois gols marcados pelo Brasil contra a França durante o cumprimento de penalidade de um minuto por nossos atletas, ou seja, mesmo jogando com um jogador a menos em quadra, por duas vezes conseguimos sucesso no nosso ataque.

No cômputo geral, erramos um pouco mais do que a França e não soubemos aproveitar alguns preciosos turnovers a nosso favor, por isso perdemos (FRA 59 x 54 BRA), mas estivemos a muito pouco de conquistarmos a almejada 7ª colocação.

O Brasil tem sim muito o que se desenvolver na modalidade, precisamos também de parceiros e incentivo para que isso continue acontecendo, mas nos Jogos Rio 2016 demonstramos não apenas o quanto já crescemos, mas que estamos no caminho certo e cada vez mais próximos das grandes potências do esporte. Como a própria Federação Internacional de Rugby em Cadeira de Rodas (IWRF) avaliou: “o Brasil tem um futuro muito brilhante” e não está longe de se colocar entre as 12 melhores seleções do mundo e, quem sabe assim, qualificar-se para o Mundial de 2018.

Que a IWRF tenha razão e que o Rugby brasileiro continue a nos garantir orgulho e alegria!

RUGBY!!! BRASIL!!!

Luis Fernando Sper Cavalli

Educador Físico e Atleta de Rugby em Cadeira de Rodas

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