As cinco represas do Sistema Cantareira atingiram nesta quata-feira (31) a metade da capacidade de armazenamento de água. Para o Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) é uma boa notícia. Se até o início da estiagem, em abril, o reservatório atingir 65% de armazenamento, a região de Campinas estará a salvo de uma nova crise este ano. Tudo indica, segundo o consórcio, que ultrapassará os 65%.
 
Uma avaliação feita pelo coordenador de projetos do consórcio, José Cézar Saad, aponta que se a média de água que entrou e saiu das represas em 2017 se mantiver, os reservatórios chegarão a abril com 68% de volume útil armazenado. A chamada vazão de afluência, formada pela água da chuva e dos rios que chegam aos reservatórios, foi de 50,6 metros cúbicos por segundo (m3/s) no ano passado, e ficou 81,2% abaixo da vazão histórica, que é de 62 m3/s.
 
Os reservatórios alcançaram 491 bilhões de litros de volume útil. Essa quantidade de água fica acima do chamado volume morto, uma reserva técnica que só pode ser aproveitada com bombeamento, como ocorreu em 2014 e 2015.
 
As chuvas de janeiro nas barragens, de 276,6 milímetros (mm), superaram a média histórica do mês, que é de 262,6 mm. “É um prognóstico bom, mas é preciso manter a atenção, porque a região continua muito dependente de chuvas. A crise recente que enfrentamos nos ensinou que não podemos relaxar e que economizar água é uma necessidade”.
 
Colabora para um cenário mais positivo o enfraquecimento do La Niña. O fenômeno costuma aparecer no Verão do Hemisfério Norte, intensificando-se no Outono e Inverno. Desta vez, porém, os primeiros efeitos começaram a ser notados apenas em novembro, mas começaram a enfraquecer.
 
A Sabesp deve, em março, começar a exploração de um novo manancial: O São Lourenço, cujas águas serão captadas a partir de Juquitiba. A interligação aumentará a disponibilidade de água para o Cantareira, enquanto o São Lourenço poderá atender cidades que hoje utilizam água daquele sistema.
 
Com as chuvas, o Cantareira liberou nesta quarta 0,25 m3/s no Rio Jaguari e 0,25 m3/s no Atibaia e enviou 24,6 m3/s para a Grande São Paulo. Em Campinas, o Rio Atibaia, responsável pelo abastecimento de 95% da população, a vazão ficou em 55,9 m3/s, volume 24,5% acima da média histórica do mês.
 
Se a situação mudar e os reservatórios não chegarem a abril com mais de 65% de sua capacidade, um socorro virá da transposição das águas da represa Jaguari, na Bacia do Paraíba do Sul, para a represa Atibainha em Nazaré Paulista e que integra o Sistema Cantareira. A operação dessa transposição está em vias de ser iniciada. “Só não está claro para o Consórcio PCJ se a região de Campinas poderá se beneficiar dessa vazão extra”, disse Saad.

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