Vacina do Instituto Butantan consegue 50,4% de eficácia na Fase 3

O Instituto Butantan anunciou nessa terça-feira, dia 12 de Janeiro, que a CoronaVac, vacina desenvolvida em colaboração com a Farmacêutica chinesa CinoVac apresentou uma eficiência geral  de 50,4% em Fase 3, ou seja, depois de duas doses. O Butantan ainda divulgou resultado bastante positivo de 78% de eficácia para prevenção casos leves que precisam de atendimento  médico e 100% de prevenção de hospitalizações e óbitos devido ao vírus. 

Os resultados foram auditados por um comitê internacional independente e foi realizado em um grupo de cerca de 9 mil voluntários em 16 centros de pesquisa, todos os voluntários são funcionários da saúde maiores de 18 anos, pessoas com alta exposição ao vírus e estão entre as pessoas com maior risco de desenvolver a doença. 

A OMS – Organização Mundial da Saúde define uma escala de 0 a 10 para os sintomas de COVID, 0 – Assintomáticos, 1 a 3 – Casos Leves, 4 a 6 – Casos Moderados, 6 a 9 – Casos Graves e 10 – Óbitos. O Butantan demostrou eficácia da CoronaVac para todos os grupos acima de 1 e definição de casos de infecção foi a mais abrangente possível, considerando todo e qualquer voluntário que tenha demonstrado qualquer um dos sintomas da doença ou tenha tido um teste RT-PCR (teste do cotonete) positivado. 

Os resultados não são considerados excepcionais por especialistas, mas são muito bons considerando o tempo de produção e celeridade no processo de testes. Em estudos realizados na Indonésia foram encontrados 65% de eficácia geral e na Turquia 91% de eficácia geral. No entanto, não é possível compararmos os estudos já que os voluntários de cada estudo divergem em faixas etárias, gênero, diversidade étnico-racial, temperatura e outros diversos quesitos que podem influenciar os resultados de forma significativa. 

Quer entender melhor sobre as fases de teste e como funciona a vacina? Assista a entrevista com o Professor Luis Carlos Dias da Unicamp!

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Por que as porcentagens divulgadas antes são diferentes das últimas? 

Em entrevista coletiva do dia 7 de janeiro, o Instituto Butantan afirmou que o imunizante protegeu em 78% dos casos leves de Covid-19 – e em 100% dos casos graves. O valor indica que, em um grupo hipotético de 100 pessoas vacinadas, 22 teriam casos moderados, e que nenhuma teria casos graves ou morreria de Covid-19. 

Algo reiterado pela comunidade científica, no entanto, é que os números anunciados não contavam a história inteira. Isso porque a forma como dados relativos à eficácia de uma vacina é divulgada ao público costuma ser outra. 

Em vez de dizer a porcentagem das pessoas imunizadas separando-as pelo grau de severidade da doença, laboratórios que divulgaram dados sobre suas vacinas observaram o número total de pessoas contaminadas nos dois grupos – o dos que receberam a vacina e o dos que não foram imunizados. 

Foi o que fez a farmacêutica Pfizer, por exemplo, quando anunciou seus resultados em novembro. O estudo de Fase 3 do imunizante envolveu 42 mil pessoas (metade recebeu a vacina, e a outra metade recebeu o placebo). Desse total, 170 pessoas ficaram doentes: 162 não foram vacinadas e só 8 haviam recebido a vacina. Esses números indicam que, se ninguém tivesse sido vacinado, o total de contaminados deveria ser de 162 em cada grupo. Por tabela, a vacina evitou que 154 pessoas do segundo grupo pegassem a doença. Daí vem os 95% de eficiência em proteger contra o novo coronavírus. 

Os números relativos a eficácia geral da Coronavac foram melhor detalhados na coletiva de imprensa desta terça-feira, 12. A diferença na taxa de eficácia pode ser explicada pela quantidade de casos analisados. 

Em vez de olhar apenas para o número de casos moderados e graves, o novo percentual, de 50,4%, diz respeito também a incidência de casos muito leves da doença. Com casos ‘muito leves’ você pode entender pacientes que tiveram um único sintoma de Covid-19 por mais de dois dias, e que testaram positivo para o novo coronavírus. 

De um total de 9.242 voluntários, 4.653 receberam a vacina e o restante, 4.599 participantes, não foram imunizados (o chamado grupo placebo). Das 252 pessoas que pegaram Covid-19 no decorrer do estudo, 167 estavam no grupo dos não vacinados, enquanto 85 receberam doses da Coronavac. Essa proporção implica dizer que há uma chance de 50,38% de que alguém imunizado com a Coronavac fique livre de qualquer sintoma da Covid-19.

 O anúncio de eficácia anterior considerava um número bem menor de casos. Em vez de 252 contaminados, o grupo dos que tiveram sintomas moderados era de apenas 38. 31 desses pacientes eram do grupo placebo – e só 7 faziam parte dos vacinados. 

É daí vem os 78% de eficácia em prevenir casos moderados da doença, número que, como sustentado pela comunidade científica desde o primeiro anúncio, representa um recorte do estudo – e, portanto, não pode ser considerado para medir a imunidade de toda a população. 

Por isso, o número de 50,4% gerou tanta polêmica, já que se mostra um pouco mais baixo do que estudos de fora, mas ainda assim está acima dos 50% aceito pela OMS. É importante lembrar que a vacina pode garantir que os hospitais diminuam sua taxa de ocupação e permitir atendimento de outras doenças ou acidentes graves. 

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