O lento avanço educacional brasileiro ocorre de maneira desigual em cerca de 5 mil municípios do País. Pouco menos da metade deles (46% do total) melhorou em um indicador que mede a evolução de fatores como inclusão escolar e qualidade do ensino, entre 2015 e 2017.
 
Na outra metade, um pequeno grupo ficou estagnado (16% do total) e outro maior chegou a retroceder (38%). Os dados são da 2ª edição do Ioeb (Índice de Oportunidades da Educação Brasileira), divulgado pelo Centro de Liderança Pública, uma organização não governamental.
 
Na RMC (Região Metropolitana de Campinas), o índice das cidades que apresentaram melhora é superior. Dos 20 municípios, 13 (65%) tiveram em 2017 um índice superior ao de 2015. São eles Americana, Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Santa Bárbara d Oeste, Santo Antônio de Posse, Sumaré e Vinhedo.
Mantiveram o índice na RMC quatro cidades (20%): Holambra, Morungaba, Paulínia e Valinhos. As outras três (15%) cidades tiveram queda: Engenheiro Coelho, Nova Odessa e Pedreira (confira a classificação de todas as cidades no quadro ao lado).
 
Apesar do movimento heterogêneo entre as cidades, o resultado do Brasil como um todo teve pequena melhora ao passar de 4,5 para 4,7 (nota que pode variar de 0 a 10).
Os municípios do Ceará, que já haviam se destacado na 1ª edição do índice, aumentaram seu domínio no topo do ranking. Entre as 30 cidades mais bem colocadas em 2015, cinco eram do Estado nordestino. Neste ano, esse número saltou para 12. Sobral repetiu a primeira colocação geral. A melhor da RMC é Indaiatuba, na 26ª posição.
 
Entre os Estados, São Paulo passou de 5,1 para 5,3 e manteve a liderança, seguido por Minas Gerais. Bahia, Maranhão e Pará permaneceram no fim da lista.
 
O município de São Paulo saltou da 1.559º para a 206º posição, mas parte do avanço se deve a uma questão metodológica. O Ioeb incorpora em seu cálculo o resultado do Ideb (índice que mede a aprendizagem calculado bienalmente pelo governo federal) de dois anos atrás.
 
Como a Capital paulista não teve Ideb para as primeiras séries do ensino fundamental em 2013, a primeira versão do Ioeb usou o indicador referente a 2011, fazendo com o que salto registrado em 2015 tenha ocorrido em relação a quatro anos, e não aos dois anos anteriores. Mas o município melhorou em outros quesitos mensurados pelo Ioeb, como aumento da fatia de alunos na faixa etária certa nas escolas.
 
Além de incorporar o Ideb (que mede desempenho dos alunos em português e matemática e taxas de aprovação das escolas), o Ioeb abarca a inclusão na educação infantil, a fatia de alunos atrasados e fora da escola, o tempo de experiência dos diretores, a porcentagem de professores com nível superior e a duração da jornada escolar.
 
As escolas privadas também entram no cálculo do Ioeb, embora nem todos os dados do índice estejam disponíveis para a rede particular. É descontado o efeito do nível socioeconômico familiar sobre o desempenho dos alunos, fazendo com que os resultados aferidos sejam mais próximos do que a própria escola agregou à aprendizagem das crianças.
 

 

Quando pensamos o Ideb, achávamos que resultado era o que mais importava, que ele já refletiria os insumos educacionais. Com o tempo, nos demos conta de que nem sempre isso ocorre. Ela cita o fato de que alunos que deixam a escola têm impacto negativo em seu Ideb – por meio de uma taxa de aprovação mais baixa- apenas no ano em que saíram. Depois, o efeito desaparece mesmo que eles não voltem.
 
INTEGRADA
No Ioeb, as crianças e jovens evadidos ou muito atrasados continuam puxando para baixo o resultado porque é considerada a taxa de matrícula líquida, que mede a fatia da população que está na escola e no nível adequado à sua faixa etária.
 
O indicador considerado, nesse caso, é o do ensino médio. Isso faz com que variações da taxa nesse ciclo do ensino afetem a nota dos municípios e não apenas dos Estados, normalmente responsáveis pelos três últimos anos da educação básica.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.