O helicóptero que transportava uma noiva e caiu em Vinhedo (SP) no fim de semana não tinha autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para pousar no local do evento, um espaço com um castelo cenográfico em um bairro de chácaras no município. De acordo com o órgão, a empresa também não tinha licença para usar a aeronave em atividade remunerada.

A empresa envolvida na operação da aeronave não detinha autorização para realizar a atividade de táxi aéreo nem obteve autorização prévia, com antecedência mínima de 30 dias, para pousar no local do evento, que não é homologado para pousos, diz texto da agência.

A Anac informou também que abriu um processo administrativo contra a empresa que, além de eventual sanção administrativa, pode resultar em denúncia ao Ministério Público e à Polícia para que sejam tomadas medidas no âmbito criminal .

Em nota, o órgão federal explica que de acordo com o Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica (RBHA) nº 91, para manobras em que haja a possibilidade de pessoas (público) próximas à área não homologada ou não registrada, é necessário solicitar autorização da ANAC para o pouso eventual de helicóptero.

Rui Garcia, proprietário da empresa dona do helicóptero, Alter Aviation, informou que possui licença para realizar voo fotográfico e afirmou que esse era o serviço prestado para o evento.

 

O pouso

Um drone percorreu o caminho feito pelo helicóptero que caiu com a noiva em Vinhedo (SP). As imagens mostram a proximidade com as torres do castelo cenográfico.

No local do evento, outros helicópteros já pousaram em outras épocas e com outras rotas, mas nunca houve acidente como o de sábado, segundo a reportagem da EPTV apurou no local. O drone registrou a vista aérea do espaço.

Nas imagens feitas por celular instantes antes do acidente é possível ver quando a cauda do helicóptero esbarra no mastro de uma bandeira do castelo e se quebra, fazendo com que o piloto perca o controle da direção.

 

O acidente

A noiva, o fotógrafo, um menino de 6 anos e o piloto, vítimas da queda do helicóptero em Vinhedo (SP), tiveram menos de 1 minuto para sair da aeronave antes da explosão, segundo mostra um vídeo do acidente que viralizou nas redes sociais.

Em uma sequência sem cortes – entre 0m32s e 1m36s -, é possível ver desde a aproximação do helicóptero ao local do casamento – um castelo estilo medieval – até a explosão da aeronave segundos após a saída de todos os tripulantes.
 
A noiva saiu ilesa e os demais três tripulantes tiveram ferimentos leves. Mesmo com o susto, a noiva subiu ao altar e a festa aconteceu.
 

 

Viagem rápida

A viagem começou no Aeroporto de Jundiaí (SP) com o embarque das quatro pessoas às 17h23, segundo informações da concessionária Voa São Paulo, que administra o local. O percurso foi de cerca de 20 km até a festa, no bairro Altos do Morumbi.

A reportagem da EPTV apurou que a programação do voo do helicóptero previa que pétalas de rosas fossem jogadas antes da aterrissagem, o que não ocorreu devido ao acidente.

O menino que estava no voo levaria as alianças até os noivos na cerimônia. Com a queda, ele teve sangramento no nariz e ficou em observação no hospital até a manhã de domingo (6), quando teve alta.

 

Cenipa investiga

Técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) estiveram no espaço do evento na manhã de domingo (6) para fotografar cenas, retirar partes da aeronave para análise, reunir documentos e ouvir relatos de pessoas que serão usados na investigação.

A empresa Buffet Imagem, responsável pelo local, disse ao G1 que não houve danos à estrutura do prédio e que os convidados estavam a uma distância segura da área onde o helicóptero deveria pousar.

 

Piloto experiente

De acordo com Rui Garcia, proprietário da empresa dona do helicóptero, Alter Aviation, o piloto é experiente e está chocado com o que aconteceu. A companhia responsável fica em São Paulo.

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