O Dia Internacional da Mulher é uma data largamente divulgada pelos principais veículos midiáticos como uma ocasião de reconhecimento da maestria feminina no desempenho de seus papéis sociais através dos séculos, desde que civilizações foram instituídas e às mulheres foram atribuídos espaços mais ou menos lisonjeiros. Afinal, ser mãe, esposa e profissional “é pra poucos”, e essa suposta versatilidade feminina serviria de pedra angular para a exaltação, uma vez ao ano, de seu esforço e capacidade no exercício de diversas funções. A mulher é multitask, diz a imprensa; logo, parabéns.

A verdade, ainda não dita, é que a mulher não é, necessariamente, a louca das múltiplas tarefas. Não precisa ser. Ela pode ou não ser mãe; ser esposa; ser uma profissional gabaritada. Não é obrigada a ter filhos, um marido ou uma carreira meteórica para que seja digna de alguma consideração. O que define a mulher é que ela é mulher, e termina aí. E, acredite, só isso já é desafiador o suficiente.

É, portanto, injusto o argumento utilizado na maioria das campanhas deste tal dia internacional, e não será esse o utilizado na elaboração deste texto. Talvez a mulher de que falamos seja uma garota de 15 anos que lida timidamente com o assédio diário no ônibus para a escola. Talvez seja uma bibliotecária que dorme tarde e gosta de viajar, de café, cachorros, mas nem tanto assim de crianças. Talvez seja uma senhora divorciada e ex-vítima de violência doméstica. Enfim, talvez não se encaixe em nenhum arquétipo publicitário exclusivista. Não siga padrões. Já é uma lutadora.

Por sobreviver em uma era regulada por ideais masculinos e valores patriarcais, eu a celebro. Por ser a flor que embeleza o asfalto machista da sua cidade, eu a celebro. Por trazer um pouco desse yin a uma sociedade que cresceu pra ser tão completamente yang, eu a celebro. Você é mesmo maravilhosa.

O mundo em que vivemos idealiza a mulher, segregando-a de si mesma. Isso não é Oito de Março. O site Cicerone nos convida a celebrar mais os significados duros da data que as pequenas belas hipocrisias do cotidiano.

 

 Texto: Nina Carvalho

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